Amapá: Pesquisa aponta alta contaminação por mercúrio em comunidades indígenas de Oiapoque
De acordo com especialistas, o mercúrio usado em garimpos ilegais contamina os rios, e os peixes consumidos pelas comunidades.

Um estudo identificou altos níveis de contaminação por mercúrio entre povos indígenas de Oiapoque, no extremo Norte do Amapá.
De acordo com especialistas, o mercúrio usado em garimpos ilegais contamina os rios, e os peixes consumidos pelas comunidades, principal fonte de alimentação local. A exposição contínua ao longo da vida ajuda a explicar índices mais altos entre pessoas acima de 50 anos.
A pesquisa analisou 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na. Metade dos indivíduos apresentou níveis iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, índice considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, esses níveis estão associados a riscos graves à saúde, como danos neurológicos, complicações na gestação e sintomas de intoxicação, incluindo tremores, insônia, perda de memória e alterações motoras.
O estudo foi realizado no final de 2024 pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (Dsei).
Os dados também apontam diferenças entre os grupos: homens apresentam níveis elevados em mais de 60% dos casos, enquanto entre as mulheres o índice é de 38,37%. Entre mulheres em idade fértil, 31,37% estão acima do limite seguro, o que representa risco ao desenvolvimento fetal em caso de gravidez.


