Voz do Amapá

Discurso transfóbico e negação de cerimônia indígena marcam Comissão da Câmara

Tensão entre dois deputados federais do Amapá aquecem as discussões

12/04/23

Durante uma reunião da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, esteve presente em um embate entre dois deputados federais do Amapá. Durante a sessão, os indígenas presentes entoaram cantos e dançaram, ação que foi repreendida pela deputada federal Silvia Nobre (PL-AP), que afirmou que a manifestação não estava prevista no regimento da casa.

O deputado federal Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) defendeu a cerimônia e afirmou que é um dever da casa incluir no regimento as manifestações. "Se não estava previsto, é uma mudança significativa a forma como este governo tem encarado essa relação histórica, inclusive a discriminação contra os povos indígenas. Que todos aqui se acostumem", disse o deputado.

Além disso, Malafaia mostrou uma carta do Conselho das Comunidades das Aldeias Waiãpi que afirmava que Silvia não tinha legitimidade para representar os indígenas. O deputado afirmou que causou estranhamento que a manifestação contra as cerimônias tenha vindo da deputada pelo Amapá, que se coloca na condição de representante do povo Waiãpi.

"Contem com este deputado do Amapá que está totalmente à disposição da luta dos povos indígenas. Nós vamos combater qualquer tipo de estelionato que venha por parte de qualquer deputado ou deputada que fale em nome do povo indígena, que não representa", afirmou Malafaia.

A deputada federal Silvia Waiãpi fez um discurso transfóbico na tentativa de defender a identidade indígena. "Vocês querem que eu aceite alguém que se autodeclara mulher, sem ser mulher, biologicamente homem, eu sou obrigada a aceitá-lo. Mas não querem me aceitar", disparou Silvia.

A deputada Fernanda Melchiona (PSol-RS) pediu questão de ordem sobre o crime de transfobia proferido por Waiãpi. "A deputada tem todo o direito de falar no tempo de liderança, mas transfobia é crime e não vamos aceitar em silêncio. Crime não", enfatizou.

 

 

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