Maria Clara: Corpo da adolescente indígena é liberado pelas autoridades francesas pela ponte binacional
A família enfrentou quase 48 horas de agonia aguardando a liberação
Por Simone Guimarães
O corpo da adolescente Maria Clara Batista, de 15 anos, foi liberado pelas autoridades francesas na tarde desta terça-feira, 19, pela ponte binacional que liga Oiapoque a Guiana Francesa. A equipe das Polícias Civil e Científica recebeu o corpo de Maria, que veio num carro tumba da Guiana e foi transferido para um veículo de uma funerária.
O governo do Amapá cuidou do trâmite do translado através da Secretaria de Relações Internacionais. A liberação ocorreu quase 48 horas após o falecimento de Maria, num hospital em Cayenne, na Guiana Francesa. A família chegou a fazer uma coleta solidária para arrecadar dinheiro para fazer o translado. O valor cobrado era em euro com cotação diária e, ontem, 18, estava perto dos 21 mil reais, de acordo com o tio da vítima, que falou com a reportagem do site vozdoamapa.com.
A chegada do corpo de Maria Clara dá a oportunidade de familiares e parentes fazerem as homenagens de despedida. A adolescente da etnia Karipuna foi estuprada e afogada numa poça de lama, o que causou as complicações pulmonares. Numa manifestação realizada em Oiapoque, nesta segunda-feira, a família, amigos e moradores do município clamaram por justiça. O acusado do crime, o pescador de 45 anos, Cláudio Roberto da Silva, está preso.
No ato, os manifestantes também reivindicaram por mais estrutura para o Hospital Estadual de Oiapoque, pois, segundo eles, a unidade não dispunha de estrutura adequada para cuidar de Maria Clara, que precisou ser transferida para Cayenne, por ser mais próxima do que a capital, Macapá.


