Médicos estrangeiros sediados no Amapá vivem em condições precárias.
Deputado Federal defende o "Revalida Mais Justo" e o Programa Mais Médicos
A comunidade de médicos estrangeiros no Amapá com aproximadamente 60 profissionais, a maioria de origem cubana, começou a se formar no estado após a implantação do Programa Mais Médicos, do governo federal, em 2013.
O médico cubano Yoel León González, de 55 anos, trabalhou no programa no período de 2014 a 2017, se apaixonou por uma brasileira, casou e ficou.
Depois, conseguiu trabalhos provisórios como na Fiocruz, em um programa de combate à malária nos garimpos. Ele conta que passa por um momento dramático da vida. Está desempregado, com contas básicas atrasadas como aluguel, e não tem condições financeiras de fazer o revalida, o exame criado no Brasil em 2011 para regularizar o diploma de graduação em medicina. O custo é de aproximadamente R$ 4 mil para a realização da prova escrita e prática, mais as despesas de deslocamento aos estados onde o exame é feito.
“A preocupação é imensa, estou passando por muitas necessidades financeiras. No dia 05 de abril, meu aluguel vence e se não tiver como pagar, vou ter que ir para a rua", conta Yoel.
Outros estrangeiros que estão no Amapá passam por situações semelhantes. Eles comemoram o retorno do Programa Mais Médicos, anunciado pelo governo federal esta semana e almejam o exame “Revalida mais justo” e propõem várias alterações:
- Redução na nota de corte. Em 2022 foi 96,63. Segundo a comunidade de médicos do Amapá, os conteúdos aplicados no exame não são para médicos generalistas e sim para médicos especialistas.
- Diminuição no valor das taxas das provas escritas e práticas que no ano passado, juntas, foi de mais de R$ 4 mil reais.
- Maior flexibilidade para o ingresso na atividade médica para os profissionais formados em outros países que já atuaram no programa mais médicos e depois com registro provisório, como na época da pandemia.
- A realização do revalida no Amapá, pela Universidade Federal do Estado e a prova prática no Hospital Universitário. O revalida no ano passado foi realizado em apenas oito estados brasileiros.
Discussão em Brasília
O deputado Federal Dorinando Malafaia (PDT- AP) defendeu, na tribuna da Câmara Federal em Brasília, o programa Mais Médicos e ressaltou que é urgente a implementação do programa, principalmente para populações isoladas, como ribeirinhos e indígenas. Malafaia também é a favor do “REVALIDA JUSTO” ele está em contato com diversos estudantes brasileiros, dentre eles amapaenses, que estudam medicina em outros países como Bolívia e Paraguai, que reclamam das inconsistências da prova prática que foi aplicada pelo INEP em fevereiro e comprometeu-se a levar a questão ao Ministério da Educação.
“O Revalida tem que existir, mas ele não pode conter erros, falta de transparência e incoerências. Como dizem os estudantes, queremos um Revalida justo”, finalizou Malafaia.


