Motorista abastecia clínicas da família Furlan com recursos da saúde, aponta PF
Investigação da Polícia Federal indica que motorista ligado ao ex-prefeito Antônio Furlan recebia mochilas com dinheiro em espécie e fazia depósitos fracionados em empresas da família.

Fotos: Polícia Federal/Arquivos
Documentos obtidos pelo Voz do Amapá revelam que comprovantes e anotações encontrados na casa do motorista registram mais de R$ 3 milhões em depósitos direcionados ao Instituto Medicina do Coração LTDA, de propriedade de Furlan, e à empresa RCFS Médicos LTDA, ligada à médica Rayssa Furlan.

A apuração faz parte da Operação Paroxismo, que investiga suspeitas de desvio de recursos da saúde em Macapá. Segundo o relatório, também foram identificados 59 saques em dinheiro vivo que somam R$ 9,8 milhões, realizados por sócios da empresa responsável pela construção do Hospital Geral de Macapá.
De acordo com a PF, os valores foram retirados logo após repasses da prefeitura à empreiteira, entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, e não retornaram ao sistema bancário para pagamento de fornecedores ou funcionários da obra, o que levantou suspeitas de possível desvio de recursos públicos.

Em um dos episódios citados na investigação, um empresário *sacou R$ 400 mil em espécie e saiu do banco com uma mochila preta, que teria sido entregue a um emissário ligado ao **veículo pessoal do prefeito*.
Para o ministro Flávio Dino, a movimentação financeira é incompatível com a atividade empresarial e pode indicar ocultação de propina e desvio de recursos públicos.

A decisão do Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento do prefeito Antônio Furlan, além do vice-prefeito, da secretária de Saúde e de integrantes da comissão de licitação.
As investigações seguem em andamento. Furlan e Rayssa ainda não fizeram nenhuma declaração sobre o assunto.


