Voz do Amapá

Passageira sofre abuso sexual dentro do ônibus

O abusador aproveitou o ônibus lotado e ejaculou na vítima

07/03/23

A vítima é uma mulher de 41 anos que trabalha como merendeira em uma escola no conjunto Cabralzinho, na Zona Oeste da capital. Ela pegou um ônibus que faz a linha Marabaixo/Infraero, da empresa "Capital Morena",  em direção ao Centro. O ônibus estava lotado e a merendeira só percebeu que foi vítima de abuso sexual quando notou que suas roupas estavam sujas, possivelmente com fluidos sexuais. Muito nervosa, a vítima tentou chamar a atenção do motorista do ônibus, mas foi ignorada. Ao ver uma viatura na rua, ela pediu para que o condutor parasse o veículo para pedir ajuda. O motorista parou, mas não esperou o contato com os policiais e seguiu levando o agressor.

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Vítima desabafa nas redes sociais

"Me pergunto, até quando nós mulheres teremos que passar por esse tipo de situação? Do que adianta o dia 8 de março sermos homenageadas por nosso dia recebendo flores e lindos poemas, quando tantas outras seguem sendo violentadas e tratadas dessa forma?", desabafou a merendeira em uma rede social.

Muito abalada, a vítima precisou ser atendida na unidade de saúde do Marabaixo e depois registrou a ocorrência de abuso sexual na Delegacia de Mulheres. A pastora Rosane Ribeiro, que lidera um grupo de mulheres no bairro Marabaixo, diz que tem conhecimento de outros três casos. Em um deles, uma moça de 18 anos sofreu um abuso semelhante ao da merendeira. Em outra situação, uma outra mulher foi molestada dentro do ônibus e tirou fotos do abusador. As imagens fizeram parte de um processo judicial. Na hora da audiência, as fotos não serviram como prova e o acusado virou o jogo, e a vítima saiu como suspeita de calúnia e difamação.

"Esse tipo de situação desencoraja as mulheres a denunciar. Outra coisa é o comportamento dos motoristas de ônibus, que não estão preparados para lidar com esse tipo de situação e não oferecem nenhum suporte às vítimas", lamentou a pastora.

Na quarta-feira, 8 de março, um grupo de mulheres fará um ato de protesto em frente à Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMAC). Um ofício será entregue à direção do órgão solicitando a apuração dos casos e a capacitação dos motoristas para que saibam como agir em casos de abuso. A maioria dos ônibus tem circuito interno de câmeras, o que torna possível identificar os agressores.


 

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