Petrobras apresenta novo pedido de exploração de petróleo na costa do Amapá
Lula apoia a iniciativa, enquanto a ministra Marina Silva assegura a imparcialidade do Ibama na avaliação

A Petrobras apresentou ao Ibama um novo pedido de licença para a perfuração de teste de petróleo no Amapá. A localização para os estudos, apesar de ser chamada de "foz do Amazonas", está a 175 km da costa do estado do Amapá, a cerca de 540 km de distância da foz do rio Amazonas.
A Petrobras informou que reforçou as medidas de segurança para caso de vazamento durante a perfuração de um poço no fundo do mar. A empresa também afirmou que atendeu todas as mudanças solicitadas no plano de emergência. No plano de contingência, existem duas bases para atendimento rápido em caso de acidente: uma em Belém, que já está pronta, e outra estrutura que será construída em Oiapoque, na fronteira do Amapá com a Guiana Francesa. Também estão incluídas na estratégia de prevenção duas embarcações, cinco aeronaves que usarão o aeroporto de Oiapoque e o emprego de 100 profissionais.

Na semana passada, o presidente Lula(PT) disse durante entrevista às rádios da região norte, que apoia a pesquisa.
"A Petrobras vai ter todo cuidado, mas pode 'continuar sonhando' em continuar com as pesquisas."disse o presidente.
Em maio, o pedido de licença foi negado pelo Ibama, e toda a estrutura que estava montada para a realização dos estudos foi desmobilizada, incluindo a saída do navio sonda do litoral amapaense para a cidade de Campos, no Rio de Janeiro.
A negação da licença do Ibama causou desgaste político à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como a saída do senador Randolfe Rodrigues do partido de Marina (REDE), além de declarações acaloradas de políticos que representam a região norte, como o senador Davi Alcolumbre (União Brasil) e o governador do Pará, Elder Barbalho (MDB). Todos defendem o desenvolvimento para a região. O Amapá possui mais de 90% das florestas preservadas e nenhuma compensação por "cuidar do meio ambiente". Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que a capital, Macapá, que concentra a maior parte da população do Amapá, tem mais de 40% da população em situação de pobreza.
Marina Silva
A ministra declarou recentemente que o Ibama avaliará com "isenção" o novo pedido de licença encaminhado pela Petrobras. Marina Silva disse que as decisões são baseadas em critérios científicos.
"O Ibama não dificulta nem facilita, o Ibama emite um parecer técnico que deve ser observado", afirmou a ministra.
Expectativa econômica
A expectativa é que a região do Amapá possa abrigar "nas profundezas" entre 10 bilhões e 30 bilhões de barris de óleo, o equivalente a US$ 770 bilhões a US$ 2,3 trilhões. De acordo com consultorias internacionais, a Guiana Francesa, vizinha do Amapá, que já explora a atividade petrolífera, terá em 2023 uma produção estimada de 318 mil barris por dia.


