Produtores de cultura questionam prisão de marabaixeira Elísia Congó: "ela não estava foragida"
Nota emitida pelo Fórum Popular de Cultura do Amapá presta solidariedade e critica a prisão preventiva. Foto: reprodução

REDAÇÃO
A prisão da produtora cultural marabaxeira Maria Elísia Carmo Silva, de 58 anos, a ‘Elísia Congó’, em Brasília, gerou reação de movimentos sociais amapaenses.
Congó foi presa preventivamente pela Polícia Federal há três dias, ao desembarcar no aeroporto da capital federal onde iria participar dos eventos de comemoração dos 80 anos da criação do Território Federal do Amapá, no Senado. Contra ela, havia um mandado de prisão preventiva em aberto desde 2018 por tráfico de drogas.
Apesar do pedido de revogação da prisão, a marabaixeira foi transferida na terça-feira (12) para a penitenciária feminina do Distrito Federal, a "Colmeia".
Nota
Uma nota emitida pelo Fórum Popular de Cultura do Amapá presta solidariedade e critica a prisão de Elísia Congó. O grupo ressalta que a produtora não estava foragida e que inclusive foi candidata a deputada nas últimas eleições estaduais.
"Ela NÃO estava se escondendo, mas sim mostrando sua energia ao mundo; sua saia marabaixeira e sua alegria contagiantes eram vistas diariamente na cidade de Macapá. Ela é funcionária pública, tem residência fixa e NÃO possuía ciência, conforme a sua defesa tem se posicionado, sobre qualquer mandado de prisão em seu nome", diz um trecho da nota.
O processo
O processo contra Elísia Congó tem origem no município paraense de Parauapebas, onde foi denunciada pelo Ministério Público do Pará. Além dela, outras três mulheres foram denunciadas pelo mesmo crime junto a 3ª Vara Criminal de Parauapebas.
Elísia é acusada no proceso de ser a mandante de um esquema de distribuição de entorpecentes quando foi sócia de uma boate no município junto com uma das acusadas.
Elísia Congó
Maria Elísia Carmo Silva, é conhecida no cenário cultural amapaense como Elísia Congó. É filha de Raimunda Rodrigues da Silva – Dica Congó e Mário Amaral, tendo como avô materno Benedito Lino do Carmo – o velho Congó, compositor de Ladrão – “Nêgo ô dia”, um dos pioneiros, juntamente com sua mãe, do Marabaixo da Favela.
Cantadeira, compositora e dançadeira, sua vida cultural começou quando criança, dançando nas rodas de Marabaixo. É ativista do Movimento Negro Amapaense. Fundadora da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo e membro do comitê gestor de salvaguarda do Marabaixo – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN; fundadora e coordenadora da Associação Cultural Raízes da Favela.


